Finalmente o Barril reinicia seu trabalho em 2011.
Resolvi começar com os gêneros textuais, assunto que tem deixado alguns vestibulandos preocupados, principalmente os que sonham com uma vaguinha na prestigiosa Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Como o cardápio é variado, vou postar um gênero por vez.
Iniciemos com o EDITORIAL:
texto de natureza argumentativa que apresenta a opinião de um veículo de comunicação (jornal ou revista) sobre um dado assunto;
ao contrário do artigo de opinião, não é assinado, pois não representa um ponto de vista individual;
costuma ser enfático, equilibrado e comedido;
predomínio da função referencial da linguagem;
uso do português padrão;
predomínio da objetividade (nem sonhe em usar a 1a. pessoa!);
estrutura: INTRODUÇÃO (contextualização do tema)
CONCLUSÃO (desfecho do percurso argumentativo)
O exemplo abaixo constitui um ediorial da Folha de São Paulo na edição de 11 de abril último sobre o massacre ocorrido na escola Tasso da Silveira:
Tiros em Realengo
O país prostrou-se diante da notícia vinda do Rio de Janeiro: o jovem Wellington Menezes de Oliveira, ex-aluno da escola municipal Tasso da Silveira, no pacato bairro de classe média de Realengo (zona oeste do Rio), invadiu o estabelecimento e disparou seguidas vezes contra alunos. Foram dez meninas mortas e dois meninos. O criminoso também morreu.
Essa classe peculiar de massacre é inédita no Brasil, ao menos na quantidade de mortes dentro de uma escola e sem relação aparente com tráfico de drogas ou crimes passionais. Segue um padrão sinistro, originário dos Estados Unidos, onde se conta uma dezena de episódios similares nas duas últimas décadas -entre os mais célebres figuram o de Columbine, Colorado (1999), e o de Virginia Tech (2007).
O fenômeno não é exclusivamente americano, contudo. Alemanha, Canadá, China, Escócia e Finlândia, entre outros, já presenciaram tragédias como essas -para falar apenas de massacres ocorridos em locais de ensino.
As notícias correm o mundo. Em todos os países se acham jovens perturbados, que num dado momento -sempre imprevisível, por mais que se esmiúcem os eventos- abrem a bala o caminho para uma triste fama.
A busca por algum sentido no massacre de Realengo se repetirá, de novo sem muita chance de sucesso. Por solidariedade, sensação de impotência ou mero oportunismo, políticos e especialistas estarão entregues ao exercício de propor soluções atabalhoadas, como o endurecimento das leis ou a instalação de um regime policial nas escolas públicas.
Mesmo que se posicionassem policiais em cada colégio, não haveria garantia de que tais episódios seriam evitados. Escolas são locais públicos; no Brasil, onde os estabelecimentos da rede oficial são notoriamente problemáticos, seria até desejável que mais pais de alunos e ex-alunos -a comunidade, enfim- os frequentassem.
Transformar escolas em fortalezas não impede nem a violência urbana, cotidiana e convencional. O que dizer, então, de explosões irracionais como a do colégio Tasso da Silveira? A hora é de luto e compaixão, mais que rompantes.
Ao poder público compete empreender investigação minuciosa da matança, para iluminar o que for possível sobre Realengo. Por exemplo: como foram obtidas as armas usadas pelo atirador?
Não será surpresa constatar que, apesar de tantas campanhas de desarmamento, a facilidade de acesso às ferramentas da morte continua uma das falhas mais gritantes do trabalho policial no país.

